O que é sarcopenia?
É um distúrbio muscular esquelético progressivo e
generalizado que está associado a um maior risco de quedas, fraturas,
incapacidade física e mortalidade. Esse processo ocorre lentamente com o avanço
da idade e é conhecido como sarcopenia primária, ou seja, aquela decorrente do
envelhecimento, e não da presença de doenças. Ocorre uma diminuição lenta e
progressiva da quantidade de massa muscular a partir da 5ª década, tornando-se
mais expressiva a partir da 7ª década. A perda muscular não é uniforme em todos os grupos musculares, e a taxa
de perda muscular nos membros inferiores é superior à observada nos membros
superiores.
A inatividade física também contribui para o
desenvolvimento da sarcopenia, em função de um estilo de vida sedentário ou da
imobilidade relacionada à presença de alguma doença. A sarcopenia pode ocorrer
de forma secundária a uma doença sistêmica, especialmente se associada a
processos inflamatórios, malignidade ou falência de órgãos.
O processo do envelhecimento determina perda da
qualidade muscular, quando as fibras musculares são substituídas por tecido
fibroso e gordura, modificando as características do músculo e reduzindo o
tecido funcional contrátil. Assim como ocorre um aumento da gordura corporal no
envelhecimento, aumenta a quantidade de gordura interposta entre as fibras
musculares ou dentro das fibras musculares, que se chama mioesteatose, resultando
em diminuição da força muscular e incapacidade física.
A associação entre envelhecimento e sarcopenia
torna-se uma preocupação cada vez maior entre os profissionais da saúde, em
função dos efeitos adversos, assim como os benefícios terapêuticos relacionados
à sua identificação precoce. O rastreamento da sarcopenia deve ser incorporado
na rotina de atendimento ao idoso com a utilização de ferramentas validadas
aplicadas pelos profissionais. Estes devem ficar atentos e fazer uma avaliação adequada quando é
percebida diminuição da força, dificuldade para se levantar da cama, da
cadeira, para caminhar e subir escadas.
A adoção de um estilo de vida saudável desde a
juventude, com uma boa alimentação e a prática regular de atividade física, é
fundamental para contribuir na manutenção da massa muscular ao longo da vida.
A alimentação, portanto, tem um papel importante
tanto na prevenção como no tratamento da sarcopenia. O desequilíbrio nutricional pode contribuir para o
desenvolvimento da sarcopenia e agravar a perda inevitável de massa muscular e
função relacionada à idade. Por outro lado, a sarcopenia pode comprometer a alimentação e o estado
nutricional do idoso, quando pela presença de limitações físicas fica
prejudicada a execução de tarefas como compras e o preparo das refeições. Além
disso, pode ocorrer inapetência pela diminuição da atividade, desenvolvendo-se
um círculo vicioso em que desnutrição e sarcopenia mutuamente amplificam suas
consequências.
A sarcopenia pode ser detectada e precisa ser
tratada em idosos com sobrepeso/obesidade, quando muitas vezes é mascarada em
função do excesso de tecido adiposo. Todo idoso, saudável ou enfermo, deve
passar pela triagem nutricional periodicamente, pois, dessa forma, o
nutricionista poderá identificar os distúrbios nutricionais presentes e
realizar um aconselhamento nutricional individualizado.
Entre os “Dez passos para uma alimentação saudável”, preconizados
pelo Ministério da Saúde, recomenda-se a inclusão diária de carnes, aves,
peixes ou ovos e leite e derivados na alimentação, demonstrando a importância
da ingestão proteica nessa faixa etária. Além disso, quanto mais variada e
colorida for a alimentação, mais equilibrada e saborosa ela será, evidenciando
a necessidade de consumir alimentos de todos os grupos.
Dra. Raquel Milani El Kik
CRN10 6888 – Nutricionista
- Mestre e doutora em Gerontologia
Biomédica;
- Especialista em Terapia Nutricional
Parenteral e Enteral;
- Especialista em Nutrição Clínica.
Áreas
de atuação
Nutrição em geriatria e envelhecimento
saudável;
Terapia nutricional enteral.

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