Cidades de atendimento

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terça-feira, 9 de junho de 2020


O que é sarcopenia?

É um distúrbio muscular esquelético progressivo e generalizado que está associado a um maior risco de quedas, fraturas, incapacidade física e mortalidade. Esse processo ocorre lentamente com o avanço da idade e é conhecido como sarcopenia primária, ou seja, aquela decorrente do envelhecimento, e não da presença de doenças. Ocorre uma diminuição lenta e progressiva da quantidade de massa muscular a partir da 5ª década, tornando-se mais expressiva a partir da 7ª década. A perda muscular não é uniforme em todos os grupos musculares, e a taxa de perda muscular nos membros inferiores é superior à observada nos membros superiores.

A inatividade física também contribui para o desenvolvimento da sarcopenia, em função de um estilo de vida sedentário ou da imobilidade relacionada à presença de alguma doença. A sarcopenia pode ocorrer de forma secundária a uma doença sistêmica, especialmente se associada a processos inflamatórios, malignidade ou falência de órgãos.

O processo do envelhecimento determina perda da qualidade muscular, quando as fibras musculares são substituídas por tecido fibroso e gordura, modificando as características do músculo e reduzindo o tecido funcional contrátil. Assim como ocorre um aumento da gordura corporal no envelhecimento, aumenta a quantidade de gordura interposta entre as fibras musculares ou dentro das fibras musculares, que se chama mioesteatose, resultando em diminuição da força muscular e incapacidade física.

A associação entre envelhecimento e sarcopenia torna-se uma preocupação cada vez maior entre os profissionais da saúde, em função dos efeitos adversos, assim como os benefícios terapêuticos relacionados à sua identificação precoce. O rastreamento da sarcopenia deve ser incorporado na rotina de atendimento ao idoso com a utilização de ferramentas validadas aplicadas pelos profissionais. Estes devem ficar atentos e fazer uma avaliação adequada quando é percebida diminuição da força, dificuldade para se levantar da cama, da cadeira, para caminhar e subir escadas.

A adoção de um estilo de vida saudável desde a juventude, com uma boa alimentação e a prática regular de atividade física, é fundamental para contribuir na manutenção da massa muscular ao longo da vida.

A alimentação, portanto, tem um papel importante tanto na prevenção como no tratamento da sarcopenia. O desequilíbrio nutricional pode contribuir para o desenvolvimento da sarcopenia e agravar a perda inevitável de massa muscular e função relacionada à idade. Por outro lado, a sarcopenia pode comprometer a alimentação e o estado nutricional do idoso, quando pela presença de limitações físicas fica prejudicada a execução de tarefas como compras e o preparo das refeições. Além disso, pode ocorrer inapetência pela diminuição da atividade, desenvolvendo-se um círculo vicioso em que desnutrição e sarcopenia mutuamente amplificam suas consequências.


A sarcopenia pode ser detectada e precisa ser tratada em idosos com sobrepeso/obesidade, quando muitas vezes é mascarada em função do excesso de tecido adiposo. Todo idoso, saudável ou enfermo, deve passar pela triagem nutricional periodicamente, pois, dessa forma, o nutricionista poderá identificar os distúrbios nutricionais presentes e realizar um aconselhamento nutricional individualizado.

Entre os “Dez passos para uma alimentação saudável”, preconizados pelo Ministério da Saúde, recomenda-se a inclusão diária de carnes, aves, peixes ou ovos e leite e derivados na alimentação, demonstrando a importância da ingestão proteica nessa faixa etária. Além disso, quanto mais variada e colorida for a alimentação, mais equilibrada e saborosa ela será, evidenciando a necessidade de consumir alimentos de todos os grupos.


Dra. Raquel Milani El Kik
CRN10 6888 – Nutricionista
- Mestre e doutora em Gerontologia Biomédica;
- Especialista em Terapia Nutricional Parenteral e Enteral;
- Especialista em Nutrição Clínica.

Áreas de atuação
Nutrição em geriatria e envelhecimento saudável;
Terapia nutricional enteral.

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